continuação do apuro (compressão) do texto dos 3 posts anteriores

November 30, 2007

a fuga(F) no verso(V)

ou

F=(VxV).tg(ө)

continuação (exagero) do apuro do texto dos 2 posts anteriores

November 27, 2007

afugadavra

somgregilho

avaquebra

pergávelido

so

forcorsão

solirvada

sertopourso

apuro do texto anterior

November 24, 2007

a fuga

cidade da palavra

o somgregando brilho

a vala que se arrubra

perante o cavalgável sentido

a passo

forças corpo visão

uma solidão observada

ser posto um pouco no verso

um posto avançado no universo

November 22, 2007

a fugacidade da palavra

o som segregando o brilho

a vala que se abre rubra

perante o cavalgar imparável

do sentido

é preciso atrasar o passo

desprender das forças

o corpo e a tensa visão

e por momentos

numa solidão observada

ser um pouco

um posto avaçado no universo

a chuva e a casa

November 20, 2007

cai agora a chuva

a um ritmo que soa

a uma nova parede da casa

 

a chuva e a casa

são um aquário ao contrário

limite

November 18, 2007

há instantes que chegou

claro quase quieto

como fumo fechado

sustenho a respiração

não o suficiente

para com ele partir

o desmaio muito fundo

de corpo quase transparente

recolhe as suas asas

respira a sua invisibilidade

e volta a dormir no escuro 

limite

November 16, 2007

"Uma pergunta para a qual não há resposta é um obstáculo para lá do qual não se pode passar. Ou, por outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência."

 

M. Kundera, A Insustentável Leveza do Ser, tradução do francês por Joana Varela.  

limite

envolto vertical no corpo

não encontro a resposta

apenas um indizível limite

que é a questão que coloco

do fundo do peito

November 12, 2007

uma crisálida negra

fundeada no peito

e quando a metamorfose:

uma força obscura

asas indomáveis que destróiem

tudo o que nos liga

 

 

são raros os voos

que nos mostram quem somos

November 9, 2007

olha

levanta os olhos

e vê

este nada

que aqui escrevo

silêncio de vidro em queda

November 7, 2007

tenho este poder

esta mão comprida e funda

que me puxa

não sei se de dentro

se para fora

e um sopro muito infinito

que é quase uma queda

em silêncio de vidro

que me sussurra

um batimento constante

ao ouvido de um outro

toque

November 3, 2007

sempre que acolhes uma mão
flor ardente de desejo
colhes do tempo
o pânico irrespirável
onde nada existe
um intervalo incolor
de ti entre ti

desejo

November 2, 2007

o desejo
asas
porque não: brancas
para que a imagem seja comum
ardendo num voo
desregrado

ou

por vezes
emaranhadas num sonho
distantes do corpo
tão frias
imóveis

e os olhos abrem-se
a uma canção de criança
na noite