continuação do apuro (compressão) do texto dos 3 posts anteriores
a fuga(F) no verso(V)
ou
F=(VxV).tg(ө)
a fuga(F) no verso(V)
ou
F=(VxV).tg(ө)
afugadavra
somgregilho
avaquebra
pergávelido
so
forcorsão
solirvada
sertopourso
a fuga
cidade da palavra
o somgregando brilho
a vala que se arrubra
perante o cavalgável sentido
a passo
forças corpo visão
uma solidão observada
ser posto um pouco no verso
a fugacidade da palavra
o som segregando o brilho
a vala que se abre rubra
perante o cavalgar imparável
do sentido
é preciso atrasar o passo
desprender das forças
o corpo e a tensa visão
e por momentos
numa solidão observada
ser um pouco
um posto avaçado no universo
cai agora a chuva
a um ritmo que soa
a uma nova parede da casa
a chuva e a casa
são um aquário ao contrário
há instantes que chegou
claro quase quieto
como fumo fechado
sustenho a respiração
não o suficiente
para com ele partir
o desmaio muito fundo
de corpo quase transparente
recolhe as suas asas
respira a sua invisibilidade
e volta a dormir no escuro
"Uma pergunta para a qual não há resposta é um obstáculo para lá do qual não se pode passar. Ou, por outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência."
M. Kundera, A Insustentável Leveza do Ser, tradução do francês por Joana Varela.
envolto vertical no corpo
não encontro a resposta
apenas um indizível limite
que é a questão que coloco
uma crisálida negra
fundeada no peito
e quando a metamorfose:
uma força obscura
asas indomáveis que destróiem
tudo o que nos liga
são raros os voos
que nos mostram quem somos
olha
levanta os olhos
e vê
este nada
que aqui escrevo
tenho este poder
esta mão comprida e funda
que me puxa
não sei se de dentro
se para fora
e um sopro muito infinito
que é quase uma queda
em silêncio de vidro
que me sussurra
um batimento constante
ao ouvido de um outro
sempre que acolhes uma mão
flor ardente de desejo
colhes do tempo
o pânico irrespirável
onde nada existe
um intervalo incolor
de ti entre ti
o desejo
asas
porque não: brancas
para que a imagem seja comum
ardendo num voo
desregrado
ou
por vezes
emaranhadas num sonho
distantes do corpo
tão frias
imóveis
e os olhos abrem-se
a uma canção de criança
na noite