sim talvez um cavalo
um galope selvagem pelo deserto
a contracção dos músculos em liberdade
sim talvez seja um cavalo
sedento faminto sob um sol tórrido
sobre um solo de pó ardente
um galope selvagem atravessando um deserto
infinito sem noite nem vento
e quebrando o silêncio este golpear dos cascos
no branco liso do plano infinito
sim talvez uma crina suada brilhante
rubros filamentos soltos no movimento
selvagem sempre essa mesma questão
selvagem galope através deste deserto
sedento faminto de rubro cabelo (crina)
rasgando o horizonte de ninguém
sem tempo para deixar pegadas no pó
um galope que arrasta o rubro no branco deserto
sim talvez um cavalo a galope selvagem
sem dúvida sedento faminto
sem dúvida o deserto