paredes (no verão) 5

July 30, 2008

da nívea verticalidade inexpugnável: a incandescência

plano:
fixar até à cegueira
um galope gelado
impulso do estômago

súplica:
que o corpo se desmanche
no último grito possível
se cole à luz indecifrável

o poema:
fuga escarnada ao desconsolo
resto de humana sede

paredes (no verão) 4

July 28, 2008

ELEGIA AO NOBRE SENHOR QUE FEZ NO ALGRAVE TUDO O QUE HOUVE DE BOM, COMO QUEM NÃO HÁ NINGUÉM NEM HÁ DE HAVER, QUE SABE TUDO E QUE PERANTE QUEM NUNCA SE TEM VALOR ALGUM A NÃO SER QUE SE FALE BEM DELE.

há paredes que conformam as pessoas
enquadram e amuralham-lhes os egos
dando-lhes a aparência de velhos
e portentosos edifícios inabaláveis
por cima do coração em ruínas

essas pessoas são muito pequenas
no seu interior que é dessas paredes
e gritam de suas vozes mudas
encorpadas pela pedra protegidas
pelo tempo contra todo o novo

são edifícios que só se permitem a si
e crescem assombrando o resto das ruas
reclamam uma dívida infinita sobre aqueles
que albergaram e não suportam o abandono

essas pessoas são como igrejas esquecidas
de portas fechadas com anúncios maldizendo
os fiéis expulsos e ofendem os não devotos
do alto dos seus mirantes muito escondidas

as suas paredes são caiadas de desprezo
e ao início da noite acendem as luzes
de todas as janelas enquanto choram na cave
pelo grandioso passado que imaginam

são padrecos muito treinados e efusivos
que não admitem qualquer outra palavra  
que não soe a simpatia e mesmo quando falam
sem ser acerca de si mesmos é a si que
chamam outros são almirantes em terra perdidos

nas paredes querem festinhas e uma placa
comemorativa essas pessoas de paredes revestidas
e vidro duplo na cabeça coroada de utopias
vivem para a classificação têm algumas caixinhas
e se algo não cabe nelas queimam e crucificam

no seu desgosto impreterível elegem-se
marginais por desconsolo quando tudo o que desejam
lá do fundo da cave escura é a fama
o monumento e a corte toda para lhes cortar as unhas

paredes (no verão) 3

July 26, 2008

cumprindo o suposto
sem fugas surpreendentes
onde há paredes há chão
cobrindo o abismo constante

é nele que me diluo
sentindo o fresco que resta
da manhã que morre na luz
talvez quase que acorde
antes da absorção derradeira

paredes (no verão) 2

July 24, 2008

a sombra concentra-se
na base das coisas
a parede é um astro
plano fulgurante no cárcere

estou plantado nos sapatos
de um tempo do qual
as pegadas únicas se recolhem
nas solas coladas pelo calor

paredes (no verão) 1

July 23, 2008

alugamos os dias
a um tempo ausente
e diante dos olhos fixos
ardem osgas translúcidas
nas paredes fugidas

pela nesga da porta
passa um mundo
distante como um insecto
que se irá esborrachar
em qualquer pára-brisas

1ª apresentação

 

Já está marcada a primeira apresentação do ainda aqui este lugar.

É dia 3 de Agosto, pelas 21h, na Feira do Livro de Faro no pavilhão do Sulscrito.

Aqui podem ficar a conhecer as outras apresentações e eventos que passarão pelo pavilhão sulscrito na Feira.

Em Setembro haverá outra apresentação na livraria Pátio de Letras, assim que haja data saberão. 

novo blog da nova livraria de Faro

July 16, 2008

o meu local de trabalho já tem um blog: aqui