revista sulscrito nº2
Vejam lá o que já anda aí! AQUI.
Vejam lá o que já anda aí! AQUI.
Amanhã, dia 3, vou estar na Feira do Livro de Faro, pelas 21 horas, para apresentar o ainda aqui este lugar.
Considerem-se convidados e apareçam para falarmos um pouco.
Vai haver, às 22h30, um concerto no coreto, mesmo em frente ao pavilhão do Sulscrito, isto para quem não achar suficiente os livros e a conversa.

Já está marcada a primeira apresentação do ainda aqui este lugar.
É dia 3 de Agosto, pelas 21h, na Feira do Livro de Faro no pavilhão do Sulscrito.
Aqui podem ficar a conhecer as outras apresentações e eventos que passarão pelo pavilhão sulscrito na Feira.
Em Setembro haverá outra apresentação na livraria Pátio de Letras, assim que haja data saberão.
o meu local de trabalho já tem um blog: aqui
Não (se) percam.

Já anda aí (aqui).

Há uma nova editora no Algarve, a Editora 4águas.
É um projecto editorial de poesia, coordenado pelo Vítor Cardeira e pelo Fernando Esteves Pinto.
Promete ser independente, desalinhada e incisiva.
O primeiro livro da 4águas sai no fim de Junho com o título ainda aqui este lugar e é, ao mesmo tempo, o meu primeiro livro.
É um previlégio estrear-me com a editora, um projecto de dois amigos a quem agradeço muito a oportunidade.
Mais informações aqui.
tenho as mãos abertas
pelos espinhos de uma rosa
de uma carne incerta
amanheci de sangue
muito aguado e negro
deixei as marcas na parede
do meu caminho
e os passos foram esquecidos
pela derrocada da superfície
demorado acordar
laranja intensa
e as ruas vazias pela pressa
procuro um chão lavrado
onde pingar a ferida
uma sombra acesa
que me engula
o que mais ser do que
um ardor aflito de pés sem chão
um corpo trespassado
pelo arpão de um tempo
para sempre por vir
que faca é esta
que cava o dia
sem que no fundo
lhe encontre qualquer substância?
que tem como única
utilidade
o corte do nervo
pela raíz de sua memória?
faço com este post uma brusca, mas breve, interrupção na publicação do rapaz areia apenas para anunciar que publiquei outro conjunto de textos inéditos no site TriploV.
O TriploV é uma biblioteca on-line na qual se pode encontrar muitos textos de muitos autores portugueses e estrangeiros. Há por lá ensaio, poesia, ciência, etc.. É tudo para leitura e consulta gratuíta, inclusivé alguns livros.
o conjunto de textos que lá publiquei intitula-se Boca Brusca e pode ser acedido aqui. A minha página no TriploV é aqui.
em breve continuará o rapaz areia.
Anuncio aqui que vou parar de publicar os poemas e textos dispersos que constituem as categorias que até agora existiam neste blog.
Nas próximas semanas vou publicar um peculiar conjunto de textos originais e inéditos nos quais há muito venho trabalhando.
Publicarei, talvez, dois ou três textos por semana que irão sendo reunidos na categoria Rapaz Areia (ver: lista de categorias, à direita do écrã, por baixo da foto da pedra), categoria essa que é o próprio título do conjunto.
Mais não digo neste anúncio, de seguida publicarei o prefácio de Rapaz Areia.
Boas leituras.
Pedro Afonso
ensaias o voo contra o vento
situas-te no nada inerte
só a obsessão dos nervos
os ossos abertos à suspensão
o que tem o ar que te sustém?
donde vem a glória da manhã
na terra que te sob Vive?
confortas-te no abismo do voo
e cerras nos olhos um acordar
A. Perspectiva: câmara no topo da cabeça do "gajo".
1. Um "gajo" entra num snack-bar. Final de tarde, dia de semana.
Snack: frequentado sem estar cheio, amplo sem ser grande, luminoso sem janelas.
2. "gajo" - ágil e brusco - chega-se ao balcão e pede uma tequilla e uma cerveja.
3. Bebe a tequilla de um trago, dá um gole na cerveja, acende rápido um cigarro, dá um bafo, dá outro gole na cerveja, vira-se para o homem ao lado e diz - sem pausas longas e sem pensar nas palavras, rapidamente, portanto:
- Epá, tudo bem? Sim e tu? Na mesma, como sempre. E a mulher e os filhos? Bons, quer dizer, o puto constipado, nada de mais. E tu? E o trabalho? O trabalho dá trabalho, mas é bem pago. Sabes a minha sogra está a dar o berro. A sério? É. Uma chatice, mas desde que a minha mulher não entre em depressão… Vá, vamos é pensar noutras coisas.
4. Bebe o resto da cerveja num só trago, pisca o o olho ao homem a quem disse tudo o que anteriormente foi relatado e vai-se embora levando o copo na mão, deixando uma nota de 5€ no balcão.
B. Perspectiva: foco na nota, ouve-se a porta (de molas) do snack abrir e fechar. Muda foco: câmara da porta foca "homem" ao balcão: tem cara de parvo.
C. Perspectiva: câmara segue "gajo" pelas costas. Câmara pára à distância de focar a janela do condutor do carro do "gajo". Importante: nunca filma o chão até à perspectiva E..
5. "gajo" entra no carro, joga copo de cerveja pela janela (atenção: não se ouve som do copo a partir-se - já percebem). Liga o rádio - começa logo a toca o "Easy Ride" dos Doors - após precisamente 26 segundos fixando o horizonte: arranca (é fácil perceber qual é o momento a sincronizar com a música, os tais 26 seg.).
D. Perspectiva: a câmara não se move.
6. O carro afasta-se.
E. Perspectiva: a câmara roda para o chão ao lado do carro e foca o copo de cerveja na relva. Mantém o copo até acabar o tema que o rádio tocava (este nunca se deixou de ouvir e aumenta o volume da música ao mesmo tempo que o carro se afasta).
Black out.
a limpeza da água é só aparente
o brilho que traz é transitório
o cheiro não engana chove
mas continuamos na cidade
*
os homens maldizem agora
a chuva a outrora bendita
procuram a secura da aparência
a imunidade à vida
Vejam este vídeo.
É no Ludo, em Faro, na 5ª feira passada. Não tem nem sinalização nem qualquer informação.
Alguém sabe o que se passa?
Neste Sábado, dia 15, à tarde, eu e o João Bentes vamos estar na Ecoteca de Olhão\Museu João Lúcio a ler alguma poesia de intervenção com o Algarve como tema.
É mais uma Feira de Ideias com Cheiro de Framboesa, um evento diverso. Podem consultar o programa aqui.
Apareçam, tudo começa de manhã e estende-se até ao final do dia (ou mais) num local bastante agradável: o Chalé João Lúcio, edifício de arquitectura simbolista, junto à Ria Formosa.
A poesia é uma máquina, sendo uma máquina um sistema de cortes*, e é o que permite vislumbrar o real.
Só através do corte é que é possível "parar o mundo", ou seja, subtrair à sua reconstrução permanente, ao seu fluxo, um "evento".
O infinito não se vê. A poesia aponta para o infinito através do corte. A máquina poética corta o infinito e permite a visibilidade momentânea do real. Corta o "fluxo" e cria "a parte".
Porque o real é "o Tudo", mas não é "um Todo". É uma parte que contém todas as partes, mas não as unifica. As partes apontam para ele, pois o real está ao seu lado e não sobre nem sob elas, nem elas dentro dele. Não têm origem num "Todo" originário, nem tendem para a unificação. A máquina poética corta, monta, combina, desliza, pára e faz parar, funciona, produz e avaria.
*Deleuze e Guattari, O Anti-Édipo, Assirio e Alvim, 2004, pag. 39.
quem és tu?
como te fazes?
que casas são estas
onde me introduzes
pela luz clara da manhã?
como se o meu corpo
fosse mais teu do que meu
e se figurasse insondável
neste arremessar de sons
contra a alvura da superfície
intocável
quem és tu?
recosido tecido de pensar
de ver finalmente
a multidão irredutível
como te fazes?
o que é isto que fazes comigo?
onde vais? espera…
deixas-me de olhos fixos
no inexpugnável