o assassino
Era o pico da tarde, se soprava alguma coisa era um bafo quente e lento pela planície seca e tórrida.
A casa branca brilhava no topo de uma colina ofuscando quem tentasse olhar para ele sentado à curta sombra do beiral. Usava um chapéu de palha que lhe tapava a cara. Sentado num banco, encostado à parede, tinha como companhia uma garrafa de bagaço e a carabina carregada.
Não se moveu em toda a hora de calor, talvez esperasse o fresco do fim da tarde, não sei. Assim como não sei se pensava na sinistra tarefa que tinha a cumprir ou na plantação que sofria ao sol.
Sei que ele tinha recebido dinheiro, e muito, para assassinar nessa tarde o governador daquelas terras.
Esperava contar-vos a história de um impiedoso assassino, mas acabo por vos descrever um natureza morta.
